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Mãos que talham o som

24/out/2016

Lá em mil novecentos e bolinha, geladeira era uma só: aquela que mantinha os alimentos resfriados. Hoje em dia, é possível encontrar geladeiras em diversos tamanhos, cores e formatos. O eletrodoméstico não apenas tem o dever de conservar os alimentos, mas também precisa expressar os gostos, as referências e o cotidiano do dono. Essa é uma tendência muito observada no mercado em geral: buscar representar em seu produto a identidade do cliente. Por isso, o fordismo que me desculpe, mas o modelo industrial do século é o artesanato. “A maioria dos meus clientes me procuram porque não encontram o instrumento ideal, aquele que expressa o som que ele curte e seja ideal para suas características”, conta Marcelo Valedio, que trabalha como Luthier há mais de 15 anos.

Luthier é o nome dado ao profissional que constrói e repara instrumentos de corda. Marcelo aprendeu a profissão sozinho. A metodologia autodidata teve como motivação o sonho de ter um instrumento musical que materializasse todos os seus desejos. “Era difícil encontrar instrumentos bons naquele tempo, por causa da dificuldade de importação. Ou os violões e guitarras eram muito caros, ou eram de baixa qualidade”, conta.

Por meio de livros, ele aprendeu cada detalhe que compõe a construção de um instrumento de corda. “Estudei no Exército e lá tive muitas aulas de física, que foram fundamentais para que eu me aprimorasse no ramo, pois é necessário ter muito conhecimento a respeito dos mecanismos do som”.

O jeito com a madeira é herança de família. Os pais de Marcelo eram artesãos de madeiras. O avô era marceneiro de caixão. “É até engraçado falar, mas naquela época era moda as pessoas ricas encomendarem caixões sob medida, com madeiras nobres. Meu avô era muito bom neste ramo”, conta Marcelo entre risos.

A necessidade de entender diversas áreas como engenharia mecânica e eletrônica, marcenaria e pintura, faz com que diminuam as opções de profissionais no mercado. “Hoje em dia, com a internet, é fácil encontrar informações sobre a Luthieria, assim como tutoriais de como construir ou reparar um instrumento. Mas isso não basta. É preciso muito estudo para, por exemplo, saber qual a madeira ideal para um determinado gênero musical. Fora que os equipamentos são extremamente caros, o que motiva pessoas a encontrarem formas alternativas para o processo, o que resulta em um produto sem qualidade nenhuma”, diz Marcelo.

Além de produzir instrumentos musicais, Marcelo também é músico, o que aumenta ainda mais a sua autocrítica em relação aos instrumentos que constrói. Por causa da experiência e do trabalho de qualidade que desenvolve, ele atende pessoas de diversos estados do Brasil. “Recebo encomendas de São Paulo, Pará, Maranhão… Enfim, é um mercado muito amplo. Como é um trabalho que exige muita técnica, quem realiza com qualidade é sempre muito procurado”, revela o Luthier.

 

Fonte: Rede Sul de Notícias: http://www.redesuldenoticias.com.br/noticias/20_07_2015_maos_que_talham_o_som.htm





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